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03 setembro, 2013

Talvez...

   
Talvez ele até mereça essa sua atenção momentânea, mas a longo prazo ele é um homem que não funciona direito. 

É como se ele fosse uma vitrola antiga, com a agulha defeituosa: se você parar para prestar mais atenção, vai se dar conta que ele fica roçando no vinil e atrapalhando a música, provocando aqueles ruídos que dão agonia nos dentes. 
E sabe o que é pior? Ele não tem conserto, não há peças de reposição no mercado, é chamado de causa perdida. 

Por que você não abraça uma árvore? Vai dar na mesma.

24 agosto, 2013

Moço,



eu não aceitaria ficar contigo mil anos e o porquê é bem óbvio: eu não viverei mil anos. 

Mas quem sabe, por uma semana ou duas, aceitaria dividir algumas tardes.
Talvez eu te deixasse encostar nos meus joelhos. 


Afinal, para sempre é muito tempo. 
A gente tenta até amanhã, depois até segunda. Duas ou três semanas, sem mais. Um mês ou dois? Três meses ou seis? Um ano, talvez... E deixa a vontade mostrar até quando.

12 agosto, 2013

Não se admire.

E a verdade é que eu não sou, é isso que eu queria dizer: Eu não sou diferente. 
Eu gosto de livros, todo mundo sabe que eu gosto — eu amo —, mas nunca vou ficar encarregada de um livro porque as minhas ideias são imbecis e eu sou ruim da cabeça. Não tem nada de diferente nisso, nada de fascinante, de interessante, que valha a pena conferir. O meu cabelo é normal e os meus olhos são dã. O meu corpo é um nada. Estou 'acima do peso' e a minha boca é fina demais. As minhas roupas são simples, as minhas piadas são forçadas e complicadas e ninguém mais ri. Eu falo demais, não sei dizer a coisa certa para fazer as pessoas gostarem de mim, só fico quieta e estranha, sei lá.

05 agosto, 2013

Perdoa.

Perdoa minha falta de assunto. Minha inabilidade em aquietar a mente. Perdoa meu corpo, minha vontade, meu silêncio. Perdoa essa marca. Não é dor. Não é tristeza. São muitas luzes acesas e pouco... pouco. São quatro, cinco, seis, ou mais das melhores horas da semana e depois nada. 

29 julho, 2013

Tá, e daí?


Tenho muitos amigos casados — não muitos casados e felizes, mas muitos casados. Em geral, meus amigos casados e felizes são como meus pais: ficam chocados com minha solteirice. Uma garota inteligente, bonita e legal como eu, uma garota com tantos interesses e entusiasmos, faculdade legal, uma família amorosa... Eles erguem as sobrancelhas e fingem pensar nos homens que poderiam me apresentar, mas sabemos que não sobra nenhum, nenhum bom, e sei que eles secretamente pensam que há algo errado comigo, algo escondido que me torna insuficiente.

Aqueles que não são felizes — aqueles que se acomodaram — desprezam ainda mais minha solteirice: "Não é tão difícil encontrar alguém para casar", dizem. "Nenhuma relação é perfeita", dizem — eles, que se contentam com TV como conversa, que acreditam que capitulação marital (Sim, querida. Claro, querida.) é o mesmo que chegar a um acordo. 

21 julho, 2013

Eu podia te dizer que sinto muito

Você me disse “eu sempre vou saber o caminho de casa" e eu pensei “realmente, uma casa nunca sai do lugar". Mas não me vale de nada ser tua casa se não é nela que você quer morar. Porque a verdade é que não admito você ser metade por não ter mais vontade de ser inteiro. 
Eu ainda penso, e esse é meu problema afinal. Pensar demais cansa, faz a cabeça doer e a gente desistir. O problema é que eu canso, minha cabeça dói, eu desisto.

14 julho, 2013

O lado bom das coisas ruins.

A psicóloga me disse que não há nada de bom na depressão. Ela aprisiona no sofrimento pessoas que, paralisadas, não conseguem tomar atitudes que melhorariam a vida. Isolam-se e ficam remoendo os problemas. 
Eu acho que há oposição em todas as coisas e até a depressão tem seu lado positivo. E explico: quando um tecido está prestes a ser lesionado durante uma atividade física, nossos neurônios transmitem um estímulo que nos impede de seguir além de nossos limites. A depressão funciona da mesma forma - mas, em vez de impedir fisicamente que você assuma um risco, ela atua no ânimo. A euforia e a depressão servem para regular nossas ações na busca por um objetivo. Nessa mesma ótica, concluo:

03 julho, 2013

Vamos falar sobre...

Vamos falar sobre a televisão desligada, já que todo barulho é incômodo quando não é a sua voz que me distrai. 
Vamos falar sobre o escuro e do quarto sempre pequeno demais. 
Vamos falar dos meus olhos cerrados e dos perfumes - o seu, o meu. 
Vamos falar sobre as músicas que deixei de ouvir e das que passei a ouvir. 
Vamos falar sobre a vida que não sai do lugar, sobre os livros velhos que li.
Vamos falar sobre as poesias que passei a odiar. 
Vamos falar sobre olheiras, chá, chocolate e solidão. 
Vamos falar sobre amor, mas falemos pouco e prometa que não vamos falar sobre a falta. 
Vamos falar, então, sobre o celular desligado. 
Vamos falar sobre o incêndio no meio do mar que me provoca arrepio de poesia na costela, porque escrever é parte grande da minha vida, o blog é a minha história, meu paradoxo, meu modo de te deixar.