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21 junho, 2013

E me diz todas essas loucuras...



 ... porque sabe que te escuto. Sabe que eu entendo e sabe que ainda gosto de você. Talvez não daquele jeito que o sentimento surgia, mas calmo, simples e silencioso. Sabe que te amo com um sorriso, com uma música, com uma palavra. 
O fogo já não nos envolve mais, mas a nuvem é calma e chove sobre nós. Uma chuva constante e tranquila, sobre corações que já não se tocam, mas ainda se querem muito e (quem sabe) eternamente bem.




09 junho, 2013

A gente vai se ver de novo

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     "A gente vai se ver de novo, eu vou te ver de novo, nós vamos dar certo em outro momento" ― eu falava baixinho enquanto te via subir as escadas. 
     Fechei os olhos e desejei intensamente acreditar em destino, caminhos cruzados, alma gêmea e essas coisas... Só pra acreditar um pouquinho que a gente iria ser pra sempre. Só pra me enganar mais um pouquinho sobre nós enquanto te via indo embora da minha vida.

25 maio, 2013

Um dia você vai se lembrar de mim.



 Os números da sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum para discar. Talvez, até tente o meu... Você vai tentar chamar alguém, mas não vai haver ninguém pra sair correndo e te dar um abraço, nem te colocar no colo ou acariciar seus cabelos até que o mundo pare de girar - coisas que eu sempre quis e estive disposta a fazer. 
  Nessa fração de segundo, quando seus pés perderem o chão, você vai lembrar do meu carinho e do meu sorriso infantil. Virão súbitas memórias gostosas dos meus beijos e abraços, da minha preocupação quando você saía e esquecia de pegar a blusa de frio e essas coisas… 

20 maio, 2013

A gente se acostuma, mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.


A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.


A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
[Texto de Marina Colasant]

04 maio, 2013

Coisas que me irritam - Só comecei.

Fofoca. Dor de ouvido. Dor de cotovelo. Gente sem noção. Indiretas no perfil das redes sociais. Telemarketing. Telefone. Gente que liga pro meu celular e pergunta: “quem está falando”? Preconceito. Frescura. Desonestidade. Arrogância. Cobranças (de qualquer espécie). Gente que não tem nada a ver com a história. Mentirosos compulsivos. Imposições. Falta de dinheiro. Falta de jeito. Falta de pontualidade. Falta de gentileza. Falta de atitude. Falta de espaço. Falta de humor. Falta de amor. Ficar doente. Minha mãe. Cólica. Ovo mal cozido. Gente pessimista. Gente egoísta. Gente mal-educada. Gente interesseira.

27 abril, 2013

Quer dizer, gostar de você não é fácil.

É como gostar de uma parede, ou de uma pedra. Na verdade, seria mais fácil gostar delas
Não que você seja sem emoção ou sem coração. Mas eu sei que você e eu não prestamos juntos. Veja, eu não sei nem usar um termo “nós” porque, pra ser sincera, nunca existiu nada demais entre a gente. E ainda assim, sempre que você vai embora, é como se tivesse tudo acabado.
Mas o que acabou? 

14 abril, 2013

Quem garante?

          A gente vive buscando garantias.
          Queremos que dê certo. Queremos fazer dar certo. Lutamos para colocar tudo nos trilhos, nos eixos.
          A coisa é que a vida segue seu sistema. Os sentimentos tem seus próprios passos de dança e, de vez em quando, somos obrigados a ensaiar um novo passo que nem sempre dura. Nem sempre é eterno. Nem sempre é como um sonho bom. E precisamos lidar com isso, nem que seja na marra. Nem que tenha que engolir o choro e de vez em quando forçar um ou outro sorriso.


05 abril, 2013

E era só uma brincadeira?



 A gente ficar. Juntos. 
Digo, sermos qualquer coisa no plural. Mais que abraços-estrala-costas de até amanhã e beijos no rosto com os olhos querendo se fechar... era tudo só brincadeira, não era?


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